26 de mai de 2012

[Especial] 1975 (Tetracampeão Mineiro) - Cruzeiro vence Brandão e é tetra

   Nelinho e Palhinha, craques consagrados, certamente fariam mais falta que o promissor Getúlio. Por isso o Cruzeiro insistiu, esperneou, exigiu a liberação dos jogadores cedidos a Seleção. A CBF fez-se de moça difícil: negou e negou. Mas deu a licença.

   Nelinho, Palhinha e Getúlio jogaram só um pouquinho no sábado, em Brasília, e correram para a decisão do Campeonato Mineiro de 1975 - tão atrasado exatamente porque Minas bancou a Seleção no Sul-Americano do ano passado (e, que ninguém nos ouça, por causa da desorganização e do tapetão).


   De um jeito ou de outro, estava armada a festa, com um milhão de renda. Se Nelinho jogou male apenas meio tempo, Getúlio e Palhinha foram elementos cruciais da partida: um não mostrou, na marcação ao ponteiro Joãozinho, as qualidades que Brandão admira; outro superou o próprio cansaço para cabecear o centro que veio da linha de fundo e marcar o gol da vitória.


   Vitória desnecessária. Ao Cruzeiro bastava um empate - uma vantagem que já fora do adversário e que o Atlético não soube aproveitar.


   O jogo, ao contrário do anterior, foi calmo: nada de pau. Mas também, nada de exageros na técnica. Nos primeiros minutos, os passes errados do Atlético eram respondidos com tabelas perfeitas do Cruzeiro. Só aos 23 o Atlético teve uma jogada perigosa - e encontrou seu jogo, passando a pressionar. Joãozinho, que até ali passava bem por Getúlio, não encontrava mais continuidade para suas jogadas.


   A necessidade da vitória é, às vezes, má conselheira. O Atlético voltou para o segundo tempo com todo vapor. Raul já tinha feito duas boas defesas quando, caminhando o ponteiro para os 10 minutos, Joãozinho recebeu uma bola na esquerda, bem aberto na lateral. Jogada típica de ponteiro: driblou Getúlio, aproveitou o quique da bola para cortar Márcio, que vinha na cobertura, foi à linha de fundo, olhou e levantou a bola na cabeça de Palhinha; o goleiro Careca titubeou, não saiu e Palhinha tocou tranquilo para o fundo das redes. Gol da vitória. Gol do tetra.


   A torcida do Cruzeiro começou a festejar ali, naquela hora. Atlético precisava fazer dois gols para tirar o título do Cruzeiro. Quem poderia acreditar? Não no Mineirão.


   Bem que o Atlético tentou, com qualidade de seu novo time e a garra nunca desmerecida. Reinaldo quase empatou logo depois, passando no meio de um cipoal de pernas, mas Raul defendeu firme no chão. Como superar a tranquilidade, a experiencia de um Jairzinho - que, vantagem consumada, abandonou o ataque para ajudar o meio campo e a defesa a suportarem a desordenada pressão do Galo? No fim, o Atlético estava convencido de que tentava quando muito o empate, apenas, para jogar um pouco de água no chope da festa do Cruzeiro.
  
   Nem isso foi possível. A torcida invadiu o campo, carregou jogadores e cartolas. Até o comedido Zezé Moreira entrou na brincadeira:
"Eu não, eu não tenho nada com isso. Este campeonato é de 75 e eu peguei o time já classificado, do jeito que está. O mérito é dos rapazes; eu não tenho nada a ver com isso."
   Tem, embora, como canta a torcida, "o Galo é freguês".

22/02/1976 MINEIRÃO (BELO HORIZONTE)
Cruzeiro 1 x 0 Atlético
Árbitro: Maurílio José Santiago
Renda: Cr$1 073 631
Público: 86 365
Gols: Palhinha (10 do 2º)


Cruzeiro: Raul, Nelinho (Isidoro), Morais, Darci Meneses e Vanderlei; Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata, Jairzinho, Palhinha (Eli) e Joãozinho. T: Zezé Moreira


Atlético: Careca, Getúlio, Márcio, Vantuir e Silvestre; Toninho Cerezo e Danival (Alfredo). Arlem (Marcelo), Paulo Isidoro, Reinaldo e Romeu. T: Iustrich


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