21 de mai de 2012

[Especial] 1973 (Bicampeão Mineiro) - A nova era do Cruzeiro

   Carnaval das portas do Mineirão até o Barro Preto. E, estranhamente, volta e meia uma marcha fúnebre. Para marcar a alegria do Cruzeiro, o carnaval; para azucrinar os torcedores americanos e atleticanos, a marcha fúnebre.

   Tudo foi muito fácil para o Cruzeiro. Logo aos 6 minutos, Zé Carlos recebeu na intermediária, deixou Vantuir na saudade e entregou para Dirceu Lopes. O baixinho olhou para Mussula e tocou a bola, para o goleiro sair catando cavaco, desesperado: 1 x 0.

   Os cruzeirenses sentiram que naquele momento o time marcava encontro com seu destino: "É campeão! É campeão!"

   Dou outro lado, duas reações diversas. Os atleticanos, tristes, mas conformados; os americanos, simplesmente desesperados - eles esperavam uma derrota do Cruzeiro para serem os campeões, ou, no mínimo, um empate, o que lhes permitiria sair para uma decisão extra.

   A primeira surpresa do espetáculo duplo do Mineirão: a presença de 5 mil torcedores do Uberaba, com muitas bandeiras. A bola começou a rolar e o América, com toda calma, a tentar vencer a retranca de Juquita. O Uberaba marcou bobeira e Rangel conferiu. Depois disso, o América mostrou que as armas de um feiticeiro podem ser usadas contra ele: catimbou, plantou-se na defesa, usou contra-ataques, o diabo. Ao fim, o pássaro do velho Juquita estava jururu e, outra surpresa, da torcida do América explodia um grito formidável: GALÔ!

   Pena que as esperanças americanas tenham durado tão pouco. O gol de Dirceu Lopes foi aquele cartão de visitas. Mostrou que o Cruzeiro estava disposto a acabar com a história de 1970 e 1971, quando embora apontado como o melhor time mineiro, deixou que América e Atlético ganhassem o título.

   O Atlético lutou muito para complicar a vida do Cruzeiro, que rolou a bola com toda tranquilidade, certo de sua superioridade. Deu para ver que o Atlético não anda lá essas coisas - o que lhe sobra em raça falta-lhe em futebol. Por isso mesmo o Cruzeiro venceu com todos os méritos.

19/08/1973 MINEIRÃO (BELO HORIZONTE)
Cruzeiro 1 x 0 Atlético
Árbitro: Arnaldo César Coelho
Gol: Dirceu Lopes (6 do 1º)

Cruzeiro: Raul, Nelinho, Perfumo, Darci Meneses e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Eduardo (Roberto Batata), Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho (Baiano). T: Hílton Chaves

Atlético: Mussula, Zé Maria, Normandes, Vantuir e Cláudio; Vanderlei e Bibi; Arlem, Campos (Paulinho), Pedrinho e Rodrigues. T: Paulo Benigno


Revista Placar