13 de ago de 2012

Especial: (1997 - Bicampeão da Libertadores) A ESTRELA brilhou

Wilson Gottardo
levanta a taça
   O Mineirão tremeu, o Cruzeiro balançou, mas quem caiu foi o Sporting Cristal. O gol do canhoto Elivélton, marcado de perna direita aos 30 minutos do segundo tempo, selou a vitória por 1 x 0 contra o time peruano e garantiu o segundo título da equipe mineira na Libertadores. "O Cruzeiro é um clube danado, está sempre chegando às finais e ganhando títulos", comemora Palhinha, que fez sua despedida do futebol brasileiro. Ele vai ganhar 2,9 milhões de dólares nos próximos três anos defendendo o Real Mallorca, da Espanha.

   O técnico do Cristal, Sergio Markarián, vislumbra um possível dom´nio cruzeirense no futebol sul-americano. "O Cruzeiro também decidiu a Supercopa há menos de um ano, o que pode ser sinal de que a supremacia esteja começando."

   Apesar da campanha pra lá de irregular (sete vitórias, um empate e seis derrotas), o título da Libertadores fez justiça a um time que superou seus próprios demônios. Cinco dos seus titulares chegaram a Toca da Raposa como "refugos" de outras equipes. O meia Palhinha, o lateral Vítor e o meia Donizete haviam sido enxotados do São Paulo; o VOlante Fabinho e o zagueiro Gélson foram renegados do Flamengo. "Quando saí do São Paulo, o diretor José Dias disse que a gente ia se dar mal em Minas", conta Palhinha. "No dia em que ganhei a Copa do Brasil, liguei para dar minha resposta a ele."

   Quem tinha motivos para dar telefonemas de agradecimento para dirigentes são-paulinos e flamenguistas era o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella. Para o São Paulo, por ter trocado cinco jogadores (os três refugos, mais o atacante Aílton e o zagueiro Gilmar) por dois (o lateral Serginho e o volante Belletti). Para o Flamengo, por ter negociado Fabinho e Gélson pelo volante Pingo. "O negócio foi bom para os dois lados", desconversa Perrella, com um sorriso malandro. "Essa fama de negociador esperto tem me atrapalhado em transações com outros clubes."

   Apesar do discurso moderno, o Cruzeiro segue uma filosofia arcaica na hora de tratar o treinador. "Não existe técnico bom e time ruim", costuma repetir o presidente. Técnico, para os cruzeirenses, é descartável. A equipe ganhou a Copa do Brasil com Levir Culpi, contratou e demitiu Oscar, venceu a Libertadores com Paulo Autuori e vai decidir o Mundial com Nelsinho Baptista (se ele durar até lá).

   Antes da finalíssima, comentava-se que nunca havia sido tão fácil vencer a Libertadores. Afinal, o Cruzeiro não enfrentara os argentinos. Na verdade, tais comentários eram fruto do desconhecimento. Poucas vezes nos últimos anos uma campanha foi tão mal acompanhada pela imprensa, em especial pela televisão. A globo, que detém os direitos para exibir a Libertadores, só passou os confrontos entre os brasileiros e a final (menos para São Paulo).

   Os torcedores brasileiros - e em especial o técnico Zagallo - não puderam assim constar que o zagueiro Gottardo, aos 34 anos, continua jogando o fino; que a dupla de volantes Fabinho e Ricardinho morde e assopra; que Marcelo é um grande goleador; e, principalmente, que o goleiro Dida voltou a ser um dos melhores em sua posição. Mas não tem importância. Em 2 de dezembro, o Cruzeiro vai enfrentar o Borussia Dortmund, tentando o título inédito do Mundial Interclubes.

13/08/1997 MINEIRÃO (BELO HORIZONTE)
CRUZEIRO 1 X 0 SPORTING CRISTAL
Árbitro:  Javier Castrilli (Argentina); 
Público: 95 472
Gol:  Elivélton, 30 do 2º tempo

CRUZEIRO: Dida, Vítor, Gélson Baresi, Wílson Gottardo e Nonato; Donizete Oliveira, Ricardinho (Da Silva), Fabinho e Palhinha; Marcelo Ramos e Elivélton. T: Paulo Autuori

SPORTING CRISTAL: Balerio, Julio Rivera, Marengo, Asteggiano e Norberto Solano; Jorge Soto, Erick Torres (Serrano), Garay e Amoako (Carmona); Julinho e Bonnet (Ismael Abrahamson). T: Sergio Markarián

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