23 de mai de 2012

[Especial] 1974 (Tricampeão Mineiro) - É Cruzeiro, É tricampeão

   O bom toque de bola, a cadência de jogo e a experiência de jogadores como Raul, Zé Carlos e Dirceu Lopes (como previra Wilson Piazza na quinta-feira) liquidaram o jovem time do Atlético, que não teve calma suficiente para se livrar dos momentos difíceis. Cruzeiro 2 x 1. Cruzeiro tricampeão.

   A semana que antecedeu o jogo teve muita catimba, muita guerra de boca. E isso serviu para aumentar na torcida a fome de emoções. Resultado: a renda foi recorde no Mineirão (em jogos de campeonato).


   O juiz Maurílio José Santiago teve uma intoxicação e, na hora de escolher um substituto (ele seria bandeirinha), a guerra recomeçou entre cartolas. Decidiu-se então por um sorteio, do qual saiu escalado Joaquim Gonçalves para auxiliar Sílvio Davi.


   O Cruzeiro entrou em campo com o mesmo time que Hílton Chaves havia anunciado durante toda a semana, mas Telê, que tinha dúvidas entre o jovem Marcelo e o experiente Vanderlei, colocou o mais novo no banco e o outro no campo.


   O técnico do Atlético só queria uma coisa: que parassem Dirceu Lopes. Por isso Vanderlei o perseguia pelo campo todo e Cláudio recebeu ordem de Telê para fazer o mesmo. Mas quando se trata de Dirceu qualquer tática é utopia.


   Aos 43 minutos, depois de um começo de jogo cruzeirense e o resto equilibrado, Dirceu armou uma jogada com Palhinha e jogou lá dentro. Mas Joaquim Gonçalves marcou impedimento.


   O jogo estava sensacional, com ataques dos dois lados. Raul, fabuloso, fez quatro grandes defesas, em chutes de Dario (2), Vanderlei e Paulinho. Do outro lado, houve dois gols anulados (o de Dirceu e outro de Nelinho, também por impedimento), três grandes defesas de Careca e uma bola que Campos tirou quando ia entrando. Pobre Campos, o chute era de Nelinho. Ele foi atendido fora do campo. 


   No segundo tempo, o Cruzeiro de números ao jogo. Dirceu Lopes, apesar do aparato à sua volta, entrou pela direita e cruzou - Joãozinho meteu a testa, com a força de um chute: 1 x 0. Aos 19 minutos, Flávio, na sua inexperiência, meteu a sola em Palhinha, que levou dez pontos na perna. Flávio foi expulso, entrou Marcelo e o Atlético se perdeu de vez. Aos 29 minutos, Vanderlei driblou dois na área, chutou de pé direito e fez 2 x 0.


   O gol do Atlético só saiu aos 38 do segundo tempo, com Vanderlei recebendo cruzamento na entrada da área, levando a bola e cobrindo Raul.


   O carnaval foi noite adentro, mas meio sem jaça: a charanga está brigada com o clube, não compareceu. E afinal, este é seu oitavo título, entre os dez disputados no Mineirão.


15/12/1974 MINEIRÃO (BELO HORIZONTE)
Árbitro: Sílvio Davi
Renda: Cr$ 1 108 471
Público: 109 363
Gols: Joãozinho (14 do 2º); Vanderlei (Cruzeiro, 19 do 2º); Vanderlei (Atlético, 38 do 2º)


Cruzeiro: Raul, Nelinho, Morais, Darci Meneses e Vanderlei. Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata, Palhinha (Baiano), Dirceu Lopes e Joãozinho (Moacir). T: Hílton Chaves


Atlético: Careca, Getúlio, Grapete, Silvestre e Flávio; Toninho (Marcelo) e Vanderlei; Arlem, Campos, Dario e Paulinho (Cláudio). T: Telê Santana


Revista Placar